Sobre o CEPESC

Salvador, Bahia, Brazil
CEPESC - Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. Nasceu do sonho, da utopia e da luta pela criação de um entidade que refletisse, a partir da perspectiva cristã e no contexto da diversidade cultural, social e religiosa brasileira e da Bahia, o mundo dos nossos dias de um modo abrangente e total, ou seja, nas suas dimensões social, econômica, política, educacional e religiosa. Por isso, adotou o lema Dignidade e plenitude da vida e da criação. Organizada em 23 de novembro de 1996, é uma entidade de caráter cultural, educacional, social e religioso. Tem como objetivos estimular, fazer e divulgar pesquisas no campo político, econômico, social, cultural e religioso e realizar trabalhos de educação, sociais, culturais e religiosos. Contato: 3266-5526

segunda-feira, 12 de março de 2012

O MUNDO RELIGIOSO ESTÁ GIRANDO

                                                                                                                                     Pr. Djalma Torres
 

Escrevi recentemente o livro “Caminhos de Pedra”, que tem sido lançado em diversos locais e datas diferentes, como grupos, igrejas, espaços públicos e  instituições ecumênicas em Salvador e no interior do Estado, à exemplo de Canudos. Tem sido uma experiência rica e emocionante para mim. O livro contém uma autobiografia, relatos de experiências e textos da vida pastoral e a minha inserção no mundo ecumênico e do diálogo inter-religioso.
Quero informar aos leitores desta coluna que começamos uma experiência nova: um programa de rádio, aos sábados, das 12h00 às 13h00, na Rádio Cruzeiro da Bahia, AM 590. Com o título de “Religião, Diversidade e Cidadania”, o programa tem como objetivo abranger todo o mundo religioso – e não somente a Igreja - em discussões de temas do cotidiano que repercutem na vida religiosa; também é preocupação demonstrar que a religião não deve ser instrumento de alienação e nem de exploração, mas de formação e construção da cidadania.  Nestes três meses de apresentação, o programa tem abordado temas bem variados, como “Protestantismo Brasileiro”, “Intolerância Religiosa”, “Religião e Saúde Mental”, “Religião e Homossexualidade”, entre outros temas. É nosso desejo tornar o programa um espaço de discussão entre religião e sociedade. 
Em janeiro foi comemorado em todo o país o “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa”. Em Salvador as comemorações se revestiram de importância sem igual, com pronunciamentos, reuniões, passeatas e solenidades mais formais. Trata-se, o 21 de janeiro, de uma lei especial contra a intolerância religiosa, que é, sem sombra de dúvida, um crime perante a legislação brasileira e um pecado diante de Deus. 
    Em fevereiro a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB,  lançou a Campanha da Fraternidade sobre a saúde pública no Brasil. O tema “Fraternidade e Saúde Pública”, é instigante e merece ser abraçado por todas as religiões. Saúde, vale sempre repetir, não tem cor e nem filiação religiosa. A postura crítica da Igreja Católica sobre a saúde pública brasileira, inclusive com corte no orçamento da União, merece os aplausos e a solidariedade de todos nós.
    Este primeiro trimestre de 2012 trouxe perdas. O assassinato, por um filho, do bispo anglicano Robinson Cavalcante e esposa, em Recife, chocou o mundo religioso cristão e toda a sociedade pernambucana. Robinson era também professor, político e escritor e foi assassinado a facadas por um filho adotivo, que residia nos Estados Unidos, e que havia regressado há poucos dias a Recife.
    Uma outra perda considerável foi a de Milton Schwantes, considerado o maior teólogo biblista protestante do Brasil.  Luterano, professor, pastor e escritor de obras famosas, traduzidas para outras línguas, era também conferencista solicitado por universidades e igrejas em várias partes do mundo.  Morreu vítima de um câncer.
    Assim, entre perdas e ações o mundo religioso vai girando, buscando ser relevante nos dias atuais, lutando contra as suas próprias contradições e se esforçando para que a convivência seja uma realidade.
 
   

sexta-feira, 2 de março de 2012

Milton Schwantes: Um profeta que nos deixa, mas continua sempre conosco.



Faleceu no dia de ontem, 1° de março, o biblista Milton Schwantes.
Milton viveu os últimos anos de sua vida com sérios problemas de saúde, dando um testemunho de resistência e de alegria. Desde agosto de 2002, depois de uma delicada cirurgia para retirada de um tumor na hipófise, conviveu com sobriedade com graves limites físicos. Os últimos dois meses passou hospitalizado.
Milton Schwantes é teólogo e pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Biblista, Schwantes é uma das principais referências do método de leitura popular da Bíblia na América Latina e autor de diversos livros, alguns traduzidos em espanhol, alemão e inglês.
Formado em Teologia pela Escola Superior de Teologia - EST (1970). Fez seu doutorado em Bíblia na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Apesar dos vários títulos de Doutor Honoris Causa conhecidos por diversas universidades, enquanto teve forças, continuou assessorando grupos e comunidades (veja sua entrevista A teologia e o Direito dos Pobres)
A contribuição de Milton Schwantes à Leitura Popular da Bíblia e à caminhada do CEBI foi muito grande. É inegável que sem suas reflexões, o CEBI não conseguiria assegurar sua ecumenicidade. A perspicácia e a simplicidade na interpretação dos textos bíblicos foi outra grande contribuição de Milton a toda a leitura bíblica praticada no Brasil e na América Latina.
”Ficamos sem mais um profeta”, lembra Adeodata Maria dos Anjos, atual diretora nacional do CEBI. Ainda segundo a Diretora, "sua voz silenciou, mas continuará ecoando e transformando corações".
A pastora Elaine Neuenfeldt, ex-diretora nacional, descreve emocionada: "Milton foi inspirador de muito de nós, estudantes de Bíblia, aprendizes da leitura popular; particularmente, devo muitas das minhas reflexões no Antigo Testamento ao trabalho do Milton; ele foi um dos primeiros na EST (Escola Superior de Teologia) a propor um Curso de Aprofundamento Teológico sobre mulheres no AT. O movimento de leitura popular da bíblia e a pesquisa bíblica perde um dos seus grandes nomes, um luterano brasileiro que deixa um legado muito importante pra nós".
"Vai fazer uma falta danada! Mas tem tanto livro, tanta gente e tanta paixão que ressuscitado está!", afirma a pastora metodista e colaboradora do CEBI Nancy Cardoso Pereira.
À sua companheira Rose, às três filhas e a toda a família, o abraço carinhoso do CEBI.
Texto disponibilizado pela CEBI - Centro de Estudos Bíblicos

CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
www.cebi.org.br

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

População em situação de rua no Brasil



Pr. Fernando Carneiro



          Nos dias de hoje, milhares de pessoas vivem nas ruas constituindo uma população heterogênea e complexa formada por homens, mulheres, brancos, negros, crianças, jovens, idosos, analfabetos, intelectuais, religiosos, sem religião, ateus, artistas, heteros, homossexuais, sãos, doentes etc.
          Algumas dessas pessoas adotaram, por escolha, as ruas como moradia, mas a grande maioria, forçada por uma forte circunstância da existência humana, só teve a rua como opção para viver.
          A maior parcela da nossa sociedade, ainda olha para a população de rua com uma enorme carga de preconceito, generalizando a todos como vagabundos, marginais, bandidos, preguiçosos, drogados e prostitutos.
          Algumas graves injustiças são cometidas contra o “povo da rua”, entre elas, o preconceito irracional, intencional e generalizado sobre toda essa população que simplesmente é vista e tratada como marginal no sentido criminal.
          Já por parte do Estado, tem-se a falta de políticas públicas que visem resgatar e garantir a “dignidade da pessoa humana” dos moradores de rua, a exemplo da omissão diante da dilacerante epidemia do crack, que vem violentando e exterminando, principalmente a população de rua, nas cidades brasileiras, não poupando nem idosos e crianças.
          Outra preocupante realidade é a crescente violência policial e de gangues que vem se espalhando e se tornando rotineiras contra moradores de rua, nas principais cidades do país, através de execuções sumárias e coletivas, na maioria dos casos com requintes de crueldade.
          Diante dessa realidade, o que pode ser feito por uma comunidade como a Antioquia, para amenizar e/ou cessar esse holocausto social que desconsidera o maior dos direitos da humanidade, o direito à vida? O que dizem nossos sentimentos pelo semelhante? O que dizem nossos valores religiosos?  Podemos/devemos fazer algo?


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PASTOR DJALMA TORRES LANÇA LIVRO “CAMINHOS DE PEDRA” NA CIDADE DE CANUDOS

Pastor Djalma Torres

Emoção, saudosismo e despedida marcaram o lançamento do livro Caminhos de Pedra no memorial Conselheiro, na  noite de  24 de fevereiro,  data de comemoração do aniversário da cidade.

Na noite de autógrafos, “Caminhos de Pedra” ganhou como presente participações ilustres, entre elas,  a presença do Padre Edinaldo, o ex-prefeito da cidade, João Ribeiro Gama,  o historiador Manoel Neto,  a arqueóloga Cleonice, a freira Delires Brun  uma das homenageadas da noite por conta do encerramento de suas atividades religiosas na cidade de Canudos, a irmã Delires parte para outra missão no Amazonas. 
Maria José, Djalma Torres e a Freira Delires Brun

Ainda como convidado, o lançamento teve a presença marcante de Luiz Paulo Neiva, Pró-Reitor da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, que na oportunidade  utilizou uma citação de Victor Hugo para fazer referência a trajetória do autor:   “seja como os pássaros que, ao pousarem, um instante, sobre os ramos muito leves, sentem-nos ceder,  mas cantam! Eles sabem que possuem asas”  Victor Hugo.

A noite realmente estava inspiradora, um dos poetas mais consagrados da cidade,  José Francisco de Andrade, conhecido como Zé Poeta,  presenteou o autor Djalma Torres com uma poesia inédita criada especialmente para ocasião.
Andréia Salles, Djalma Torres e Maiara Fernandes

Para fechar a noite com chave de ouro, Djalma Torres muito emocionado agradeceu a presença dos amigos, despediu-se da amiga Delires Brun antes de autografar os seus livros.


Confira abaixo o poema em homenagem ao Pastor Djalma Torres.


Canudos está em festa

Nesta noite de calor

Está lançado um livro

Desse novo escritor

Meus queridos senhores

Aqui está Djalma Torres

Esse eterno pastor

Esse primeiro trabalho

Para Djalma uma vitória

Ele retrata para o povo

Sua linda trajetória

No memorial do conselheiro

Esse dia 24 de fevereiro

Vai ficar na história

Esse livro nos traz

Um trabalho bonito

E o fruto da vida

Por ele escrito

Esse livro lançado

Será abençoado

Por nosso Jesus Cristo

Chama-se Caminhos de Pedra

 Esse bonito exemplar

Um pouco de sua vida

Está a resgatar

Nessa noite de festa

Nada mais me resta

Se não lhe homenagear
                                   
                                     Zé poeta

Nota de falecimento



É com pesar que  comunicamos o falecimento de Dom Robinson Cavalcanti e de sua esposa dona Mirian. O casal foi assassinado na própria residência em Bultrins, Olinda, pelo filho adotivo de 29 anos, com golpes de arma branca. O noticiário informou que o filho adotivo era usuário de drogas e que havia chegado de uma viagem aos EUA há apenas 3 dias.

Não se sabe ainda os motivos, mas segundo testemunhas o crime foi premeditado, pois o acusado foi visto afiando a arma na tarde anterior. Após o duplo assassinato, o rapaz tentou suicídio ferindo o seu corpo e ingerindo uma substância venenosa. As informações é que Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, está internado no Hospital da Restauração (HR), Centro da capital pernambucana, respirando com a ajuda de aparelhos. O quadro do suspeito é estável. O sepultamento do casal será realizado nesta quarta-feira, dia 29 de fevereiro, ás 14h, na Paróquia Anglicana Emanuel, situada a Rua São Miguel, 15, Farol, Olinda PE.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

RELIGIÃO, DIVERSIDADE E CIDADANIA


Todo sábado de 12 ás 13h na rádio Cruzeiro (AM 590), o pastor Djalma Torres apresenta o programa Religião, diversidade e cidadania. Com a linha editorial comprometida com a diversidade cultural e religiosa, o programa discute temas do cotidiano ligados a religiosidade. Para isso, Djalma Torres já recebeu no estúdio os antropólogos: Jaime Sodré e Ordep Serra, Drª Dalva Monteiro (Doutora em saúde coletiva), Valber Carvalho (apresentador do programa Bahia Rural), além dos pastores Jorge Nery, Marcos Monteiro,  Eliab,  Joel Ribeiro e Reverendo Luiz  Carlos Ramos (Doutor em Ciência da Religião).

Ao vivo, o Religião, diversidade e cidadania, abre a espaço para discussão entre o especialista do assunto abordado e ouvintes, através do email: programardc@hotmail.com e  pelo telefone 3017-5089.
 

Assessoria de Imprensa - Torres Assessoria

Andréia Salles: (71) 8663-0527

Maiara Fernandes (71) 9171-5146

Uma leitura de comunidade

Gabriela Galeno

O conceito da palavra comunidade vem do latim communitas, referindo-se basicamente à qualidade daquilo que é comum. Existem diversos tipos de comunidades, como aquelas em que fazem parte de uma região ou nação; nações unidas por acordos políticos; ou como é o nosso caso, por pessoas vinculadas por interesses comuns. Mas quais são nossos interesses em comum?
Localizada em uma comunidade um tanto quanto carente do centro da cidade de Salvador, surge uma igreja denominada Antioquia, onde paradigmas são quebrados e polêmicas religiosas já fazem parte do nosso cotidiano. Formada por pessoas das mais diversas religiões, Antioquia luta pela causa da liberdade religiosa, sendo, portanto, uma igreja evangélica um “pouco muito” diferente. Em lugar dos sermões de pastores sobre “Como não deixar o diabo se apossar da sua alma”, damos lugar a palestras educativas com temas diversos vinculados sempre ao contexto sociorreligioso, ministrados por ilustres estudiosos e religiosos, assim como, por pessoas vivenciadoras do tema em questão. Em lugar de músicas com os tipos de refrão “pisa na cabeça do diabo”, ouvimos cânticos ecumênicos, que falam sempre do amor ao próximo e do respeito para com o outro.
Mas Antioquia é mais do que uma comunidade vinculada pela causa contra a Intolerância Religiosa, como citei acima. Antioquia é uma família. Uma família que se confraterniza sempre que possível, a cada reunião e, principalmente, a cada vitória conquistada por um (a) irmã (o). Queria poder citar o nome de cada um que faz parte desta família e suas vitórias conquistadas diante da vida, que não é fácil. Mas, lembrando-me do conceito de comunidade, já falado anteriormente, nossas conquistas não são individuais, elas são coletivas. Porque a vitória de um é a vitória de todos!
Parabéns a todos que fazem parte dessa história e obrigada a todos por fazerem parte da minha família! Um bom começo de ano a todos.