Sobre o CEPESC

Salvador, Bahia, Brazil
CEPESC - Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. Nasceu do sonho, da utopia e da luta pela criação de um entidade que refletisse, a partir da perspectiva cristã e no contexto da diversidade cultural, social e religiosa brasileira e da Bahia, o mundo dos nossos dias de um modo abrangente e total, ou seja, nas suas dimensões social, econômica, política, educacional e religiosa. Por isso, adotou o lema Dignidade e plenitude da vida e da criação. Organizada em 23 de novembro de 1996, é uma entidade de caráter cultural, educacional, social e religioso. Tem como objetivos estimular, fazer e divulgar pesquisas no campo político, econômico, social, cultural e religioso e realizar trabalhos de educação, sociais, culturais e religiosos. Contato: 3266-5526

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

E NÃO TIVEMOS MISSA!



Inaldo da Paixão Santos Araújo, Vice- Presidente do TCE durante a celebração da cerimônia inter-religiosa


"A verdade prova que o tempo é o senhor/ Dos dois destinos, dos dois destinos/ Já que pra ser homem tem que ter/ A grandeza de um menino, de um menino/ No coração de quem faz a guerra/ Nascerá uma flor amarela/ Como um girassol/ Como um girassol/ Como um girassol amarelo, amarelo." (Cidade Negra)
"Qual o porquê dessa mudança?" Foi com esse indagar e com uma certa indignação, confesso, que reagi quando fui comunicado sobre a proposta – hoje concretizada – de se substituir a tradicional Missa de Natal da Corte de Contas baiana por um Culto Ecumênico.
Se, na mística Bahia, qualquer segunda ´lavagem de beco´ já é considerada tradição, o que não dizer de um celebrar com que, dos vinte e cinco anos que tenho de Casa, pude conviver 24 vezes?
Para mim, na condição de ex-acólito, o dia da Missa, principalmente as últimas, sabiamente celebradas pelo nosso Frei Paulo, era a data mais importante do Tribunal, pois era nesse momento que mais fazíamos o que deveria ser feito todos os dias: crer sempre em um tempo novo de paz e abraçarmo-nos como irmãos, não de sangue, mas de fé.
Assim, como qualquer ser humano, de pronto, questionei: para que mudar?
Sei, todavia, que o Estado é laico, embora nossa Carta Maior tenha sido promulgada sob a proteção de Deus.
Sei que há ação na justiça para se retirar os simbolismos dos órgãos públicos; para se retirar a expressão "Deus seja louvado" da nossa combalida moeda. Interpelo-me: se o Real já é o que é com a louvação ao Senhor, imagina como ficaríamos sem a proteção divina? Certos estão os americanos, quando afirmam: In God we trust.
Sei, por fim, que é natural, para a raça humana, reagir a mudanças, principalmente quando já se está em uma situação cômoda e não há relativa compreensão do que poderá ocorrer com o novo.
Tolice!  Inevitavelmente, como na canção, o "novo sempre vem". E, queiramos ou não, é sempre "vida que segue".
Todavia, quando vi o chamamento para participar da "Celebração Ecumênica de Confraternização de Final de Ano", materializado em um belo cartaz em formato de girassol, com as imagens dos representantes de seis segmentos religiosos – Sra. Ana Veloso (Umbanda), Pr. Djalma Torres (Igreja Batista), Pe. José Carlos Silva (Igreja Católica), Sr. José Medrado (Espiritismo), Sr. Luciano Ariel Gomes (Representante da Sociedade Israelita da Bahia), e Makota Valdina Pinto (Candomblé), e com o anúncio da participação de músicos da Orquestra Neojibá, encantei-me.
Não fiquei na contramão. Parei para refletir e participar. De fato, por que ser singular, quando podemos ser mais do que plural? Por que ouvir, apenas, a opinião de um, quando, sabido é que uma decisão colegiada é muito mais convincente? Por que não acreditar no amor entre os homens, sem importar a crença? Enfim, se apenas desejarmos o bem, seremos diferentes, sem deixarmos, nunca, de ser iguais, não é mesmo?
Razão assiste, portanto, à Mãe Stella, quando em seu artigo no A Tarde, de hoje (19/12/2012), relembra passagem bíblica: "há muitas moradas na casa de meu Pai" e que somos "diferentemente iguais".
Espero, assim, que essa confraternização seja marco de um verdadeiro redesenho de nossas práticas e de nossas vidas, porque não mudaremos o Tribunal se não repensarmos e transformarmos individualmente nossas ações.
Espero, como bem lembrou o médium José Medrado, também no mesmo jornal de folhas, que não nos esqueçamos, independentemente de egos, de que "o universo, lá fora, avança".
Espero que esse momento marque, de fato, o prenúncio de um novo ano de uma Nova Era.
Espero, também, que esse dia seja o verdadeiro advento de que a essência de todos os "ismos" é o amor, no seu sentido mais puro, que é o caritas.
 Afinal, está escrito na primeira carta de São João que "Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele" (1 Jo 4, 16).
Espero, por fim, que essa confraternização simbolize tempos de união, de compromisso, de amadurecimento, de responsabilidades, de perdão e de paz, pois tudo passa e a verdade sempre brota como um girassol amarelo.

Inaldo da Paixão Santos Araújo, mestre em Contabilidade, conselheiro vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado, professor e escritor. 

1 comentário:

  1. Meu querido amigo Inaldo.
    "Os amigos é a forma de Deus cuidar de nós".
    O seu texto é retrato vivo de tudo que sonhamos e queremos.O mais importante é que possamos criar nossos filhos num país de paz que infelizmente não é o que está acontecendo e nos levando a um caminho sem esperança.
    No meu modesto entender a coisas maiores para que os poderes se preocupem.Atras desses gestos está a covardia de gritar o que precisamos ouvir.Dentre acontecimentos "berrantes", estupidos e irresponsavel está tal copa do mundo de futebol essa olimpiada.Queremos mostrar o mundo o que o mundo já sabe, somos um povo na sua grande maioria desonestos e os politicos na sua esmagadora maioria o representa bem.Acredito meu caro amigo na prioridade.Acredito que só pela educação e aplicação da lei em todas estancias.Não acredito num país que gasta onde não deveria gastar e onde pessoas morrem de fome e que promove enventos para uma minoria.
    Feliz Natal e um prospero ano novo.
    do amigo
    Edvaldo Paulo de Araújo

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