Sobre o CEPESC

Salvador, Bahia, Brazil
CEPESC - Centro de Pesquisa, Estudos e Serviço Cristão. Nasceu do sonho, da utopia e da luta pela criação de um entidade que refletisse, a partir da perspectiva cristã e no contexto da diversidade cultural, social e religiosa brasileira e da Bahia, o mundo dos nossos dias de um modo abrangente e total, ou seja, nas suas dimensões social, econômica, política, educacional e religiosa. Por isso, adotou o lema Dignidade e plenitude da vida e da criação. Organizada em 23 de novembro de 1996, é uma entidade de caráter cultural, educacional, social e religioso. Tem como objetivos estimular, fazer e divulgar pesquisas no campo político, econômico, social, cultural e religioso e realizar trabalhos de educação, sociais, culturais e religiosos. Contato: 3266-5526

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Palavra da Igreja Evangélia Antioquia sobre as manifestações populares no Brasil

BOLETIM DOMINICAL EM 14 DE JULHO DE 2013
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Manifestações populares no Brasil atual




Neste ano de 2013, a nação brasileira foi surpreendida com uma reação inesperada de sua  população, que até então era classificada sob o aspecto político como “símbolo de passividade” no quesito participação nas decisões políticas dos governos.

Tendo como origem o movimento pelo passe-livre, as manifestações populares tomaram as ruas de todo o país, quando pessoas de várias idades, classes sociais, religiões e ideologias tomaram as ruas munidas de cartazes, nos quais continham frases cobrando mudanças das políticas sociais, das leis, das posturas dos políticos, além de palavras de ordem e expressões como: “O gigante acordou”, “Chega de corrupção”, “Mensaleiros na cadeia”, “Fora Fifa”, “Não queremos estádios, queremos escolas, hospitais e transporte de qualidade”, entre muitos outros.

O Congresso Nacional em Brasília foi cercado por populares; grandes cidades foram paralisadas; as mídias nacionais e internacionais deram grande destaque às manifestações; a Presidente da República foi vaiada em plena abertura da Copa das Confederações; o governo realizou reuniões de emergência e pronunciamento ao país em rede nacional, na tentativa de dar uma resposta às vozes das ruas; projetos de lei e projetos de emenda constitucional de interesse popular, há anos parados no Congresso, entraram na pauta e foram votados; a classe política se assustou com a manifestação do povo nas ruas; a governabilidade e estabilidade política ficaram sob olhares cuidados dos donatários do poder; os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário se manifestaram e o país passou por momentos de grande ebulição popular com ênfase na democracia popular cobrada nas ruas.

Um fato determinante desse momento político foi a importância das redes sociais, em especial o facebook, no planejamento e execução das manifestações, fato este, que levou analistas sociais a enaltecerem a participação da classe média na condução das passeatas, caminhadas e protestos em geral. Mas num segundo momento foi verificado que as parcelas mais pobres da população também se encontravam nas ruas cobrando políticas de inclusão social e um olhar mais atencioso por parte do governo para as comunidades carentes, a exemplo das favelas da Rocinha e do Vidigal, no Rio de Janeiro, que foram cobrar do governador Sérgio Cabral a presença do Estado em suas comunidades, com segurança, educação, saúde, participação popular nas obras do PAC, entre outras demandas.

Não se pode deixar passar em branco, o enfrentamento das manifestações populares pelo Estado, através do seu braço armado (as Polícias Militares estaduais, as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança) quando foi feito o uso de repressão violenta com armas de combate a conflitos sociais (balas de borracha, bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo, cachorros treinados, cavalaria, spray de pimenta etc). Tais confrontos ganharam uma expressão violenta por parte do aparato policial estatal, gerando como conseqüência a reação, também violenta, por parte de grupos de manifestantes, quando foi constatado quebra-quebra de lojas, de monumentos históricos, de igrejas, queima de veículos (carros, ônibus, motocicletas), além de armas improvisadas como coquetel molotov e fogos de artifício. Dezenas de pessoas foram presas e muitas saíram feridas dos embates entre o povo e a polícia.
Hoje, portanto, pretende-se discutir e avaliar as conseqüências das manifestações populares. O povo realmente acordou ou foi um momento atípico que contagiou uma parcela da população sem sinais de continuidade? A classe política atual reagiu de forma que se possa esperar mudanças significativas na condução das demandas populares ou as reações vistas até aqui, apenas tiveram a intenção de acalmar os ânimos populares? Como comunidades religiosas similares a Antioquia poderiam participar de forma significativa no momento político atual?  A palavra agora é nossa!


Fernando Carneiro.

A reunião começou ás 10h40, na ocasião os participantes de Antioquia discutiram sobre o  Tema: "As manifestações populares no Brasil, na atualidade."
Abaixo encontra-se a opinião dos seguintes membros : Djalma Torres, Fernando Carneiro, Ana Lígia Lima, Vera Galeno, Gabriela Galeno, Graziela Galeno, Nailton Lantier, Fabrício Torres, Maria Fernanda, Olusivone Torres, Valdomiro Mota e Cláudio Sena.


Falas (Sínteses):

Nailton Lantier

Defendeu que as igrejas sofrem o processo sociológico de multidão, perdendo suas personalidades e tendendo a seguir o espírito da massa (maioria).
Citou a marcha “Deus e a Família” ocorrida em 1964, antes da deflagração do golpe militar, fazendo comparação com a “Marcha pra Jesus” a qual tem como organizador principal o pastor evangélico Silas Malafaia, que em sua última edição, em São Paulo, transformou-se em um movimento contra a PEC 122 (Proposta de Emenda Constitucional que trata dos direitos do público LGBT), considerada abusiva por parte dos evangélicos conservadores porque feriria a liberdade de expressão nas pregações religiosas, segundo o movimento ordenado por Malafaia.
Sugeriu que a inquietação (atos de violência) verificada nas manifestações populares teria sido fruto da infiltração de membros de organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho, nos grupos de manifestantes, podendo ser consideradas essas organizações criminosas, também como um “movimento social paralelo”, o qual teria sua própria ética, um tipo de “ética negativa”, mas uma ética própria, oposta à ética defendida pela sociedade.
Também defendeu que os governos, ao longo do tempo, teriam negligenciado o investimento em educação, importante para a conscientização política do povo, lembrando ainda, o discurso realizado na ONU, da garota paquistanesa que sofrera violência e tentativa de assassinato, simplesmente pelo fato de defender o direito à educação de mulheres em seu país. No referido discurso, a necessidade de educação a todos teria recebido o maior destaque, como condição para a dignidade da pessoa humana.
Lembrou também, que todos deveriam ficar atentos às influências dos grupos criminosos nas manifestações populares, pois tais manifestações retornariam durante as campanhas eleitorais futuras.
Alertou que frente às consequências das manifestações populares recentes, o ex-presidente Lula já estaria trabalhando na sucessão da presidente Dilma, a qual teria ficado com a popularidade muito abalada pelo movimento das ruas.
Por fim, defendeu os gastos públicos de aproximadamente 140 milhões de reais na Jornada da Juventude (evento católico previsto para acontecer no Rio de Janeiro com a presença do papa Francisco), recursos aqueles que seriam destinados aos preparativos de um grande evento internacional de alta complexidade, quando o governo brasileiro não poderia deixar de dar suporte, por força da imensa multidão que everá participar.

Fabrício Torres

Lembrou que os gestores políticos de todos os níveis (federal, estadual e municipal) teriam sido os que mais teriam sofrido desgastes com as manifestações populares, tanto os componentes da base do governo como os da oposição. Todos, inicialmente, teriam reagido igualmente, classificando as manifestações como “vandalismos”, mas que em um segundo momento, convencidos da complexidade do momento político teriam mudado o discurso e reconhecido o movimento como legítimas vozes do povo.
Citou o livro de Manoel Castels, intitulado Sociedade em Rede, onde o autor descreveria as manifestações populares como a “insatisfação da sociedade com uma gama de fatores” rebatendo assim, as conclusões que apontariam as manifestações atuais no Brasil como resultado da insatisfação com causas específicas de grupos, a exemplo das reivindicações do passe livre, lembrando o slogan “Não é só pelos R$ 0,20”. O Movimento do Passe Livre teria sido apenas o estopim de uma série de reivindicações da sociedade.
Lembrou ainda, que a população teria estrategicamente escolhido o período da realização da Copa das Confederações para se manifestar, aproveitando que o mundo estaria de olho no Brasil e que qualquer fato geraria repercussão internacional . 
Defendeu que a ocasião dos protestos teria sido ideal para a sociedade brasileira mostrar ao mundo, com todas as letras, que o Brasil seria um país de contrastes gritantes, ao contrário da propaganda do governo e da FIFA que mostraria com as imagens dos estádios “padrão-fifa”, uma realidade mentirosa.
Denunciou ainda, que os governos Lula e Wagner teriam realizado obras estruturais faraônicas que teriam beneficiado apenas as grandes construtoras, deixando o povo com as mesmas carências de antes, citando a nível federal as obras de transposição do Rio São Francisco que já teriam consumido bilhões de reais e continuariam inacabadas, causando prejuízos bilionários aos cofres públicos, pois antes do término já precisariam ser reconstruídas, além de não terem beneficiado um único cidadão do semiárido nordestino. No nível estadual citou as obras da Rótula do Abacaxi, em Salvador, que a pesar de que já estariam sendo usadas pela população, não teriam trazido o efeito desejado e parte delas encontrar-se-iam inacabadas, sendo exemplos de obras eleitoreiras.
Lembrou ainda, uma afirmação de Caetano Veloso quando o mesmo teria dito que na Bahia tudo que se pareceria com construção já seria ruína.
Por fim, defendeu a ideia de que no Brasil haveria apenas democracia de direito (que estaria apenas no papel), pois não haveria democracia de fato, ou seja, democracia na prática.

Vera Galeno

Defendeu que a rede globo teria inicialmente dado ênfase apenas às manifestações ocorridas no eixo Rio-São Paulo-Brasília, pouco noticiando as manifestações aqui na Bahia e no restante do Brasil. Também teria a globo enfatizado as mobilizações sociais com causa única, que teria sido o aumento de preço das passagens de ônibus, defendido pelo Movimento Passe Livre desconsiderando, portanto, as diversas reclamações e reivindicações levadas às ruas numa gama de cartazes e faixas referentes à educação, saúde, segurança, transporte de qualidade, ética na política, punição aos corruptos, moralidade na política, entre tantos outros temas.
Por fim, lembrou de um depoimento emocionante que teria assistido na TV, de um senhor de 72 anos de idade que teria se mostrado emocionado com a ação dos jovens à frente das manifestações, quando teria declarado, o entrevistado, que a partir daquele momento estaria mais confiante nas mudanças positivas para sociedade, pois os jovens teriam despertado para a democracia.

Djalma Torres

Leu um artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, em 07 de julho de 2013, de autoria da jornalista Eliane Catanhede, intitulado de “Assombração” referindo-se a Lula e Dilma e a falta de ética no poder.
Destacou um comentário feito em uma reunião do Grupo Primo (uma comunidade ecumênica de Salvador), por Ernesto Botazz, um professor universitário, italiano e radicado no Brasil, onde este teria afirmado que no período das manifestações populares encontrava-se na Itália e teria, na ocasião, verificado que nem a Copa das Confederações, nem a derrota da Itália teriam tido tanta repercussão, tanto na Itália como em toda a Europa, como as notícias das manifestações populares que teriam ocorrido paralelamente aos jogos daquele evento esportivo.
Em seguida, discordou dos gastos públicos do governo brasileiro com a Jornada mundial da Juventude, evento católico de cunho internacional no qual teria a presença do papa Francisco, previsto para acontecer no Rio de Janeiro no final do mês de julho de 2013, que estariam orçados gastos de 140 milhões de reais, aproximadamente.
Afirmou ainda, que nos governos Lula e Dilma os movimentos sindicais teriam perdido a característica de reivindicações de causas de interesse dos trabalhadores, mostrando-se numa eterna inércia frente às reivindicações populares e que, provavelmente estariam em condição de submissão aos interesses dos governos do PT e da iniciativa privada.
Destacou a situação escandalosa das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), nos quais após gastos de bilhões de reais, os canais da transposição do rio São Francisco, por exemplo, estariam rachados necessitando de reconstrução, evidenciando portanto, a ineficiência do governo e ainda, o descaso com o dinheiro público.
Citou ainda, o escândalo que envolveria o governo federal e alguns governos estaduais, com o empresário brasileiro e bilionário Eike Batista, o qual a revista norte-americana Forbes teria dito ser aquele empresário o homem mais rico do Brasil. Eike seria beneficiário de políticas de investimento do governo federal, a exemplo da concessão de exploração econômica de petróleo e ainda, teria sido citado pela presidente Dilma como exemplo de empresário no Brasil. No nível estadual Eike teria sido beneficiado pelo governo do Rio de Janeiro, através do governador Sergio Cabral na concessão dos direitos de exploração econômica do estádio do Maracanã, obra na qual teria tido a licitação para a reforma, vencida por um consórcio do qual Eike seria sócio. Lembrou ainda, que o BNDS teria emprestado mais de 12 bilhões de reais a Eike e que, no momento atual, o empresário estaria falido, sugerindo portanto, um prejuízo bilionário aos cofres públicos.
Logo após, lembrou que a construtora Odebrecht teria questionado o fato de o novo estádio de Recife ter sido construído em uma área distante da cidade e de difícil acesso. Relatou que as terras onde o estádio teria sido construído seriam de propriedade da construtora que teria erguido a arena, ficando evidenciado, portanto, os reais motivos da escolha do local, pois em data futura a construtora vencedora construiria condomínios residenciais e assim, lucraria duas vezes com a obra.
Também denunciou que a prefeitura de Salvador (com ACM Neto) teria contratado um programa de educação por 12 milhões de reais, o qual teria sido questionado pelo Ministério Público, por irregularidades na contratação.
Citou ainda, o escândalo com o uso por parte de políticos para atender a interesses pessoais, dos aviões da FAB, como teria acontecido com o presidente da Câmara de Deputados e com o presidente do Senado Federal.
Foi de acordo que os líderes evangélicos pentecostais fundamentalistas a exemplo de Silas Malafaia, Marco Feliciano, Valdomiro Santiago, Edir Macedo, entre outros, deveriam ir para a cadeia, pois estariam desvirtuando a imagem das instituições evangélicas e sendo coniventes e submissos com o poder constituído, deixando de observar a ética e a moralidade na política, por simples vontade de poder. Lembrou ainda, que o povo não veria com bons olhos os discursos fundamentalistas evangélicos, como teria mostrado nas manifestações um incisivo repúdio à posturas reacionárias, como exemplo teria uma das expressões comuns nos protesto que seria “Feliciano não me representa”, sem contar que teria ficado constatada a diminuição do número de participantes na última edição da Marcha pra Jesus, que teria encolhido cerca de 40% (quarenta por cento). 
Defendeu que a insatisfação com a classe política e com a condução das políticas sociais do governo seria geral e que enquanto comunidade religiosa, Antioquia deveria acordar. A igreja deveria ir às ruas com um discurso sadio a cerca de um Deus com ética e com um compromisso com a sociedade.
Citou por fim, o exemplo da cidade de Canudos que teria se tornado independente sob o controle de ACM e que mais tarde teria experimentado abusos de poder político, ocasião em que teria se revoltado com a situação e num determinado momento, a juventude canudense de maioria católica, teria conseguido realizar uma revolução política desbancando do poder, nas urnas, os antigos donatários, conseguindo eleger um representante da oposição.

Valdomiro Mota

Lembrou que a comunidade antioquiana poderia representar alternativas, no sentido de denúncias a cerca dos abusos das igrejas pentecostais de discurso fundamentalista.
Lembrou, sobre os movimentos estudantis, que a maior parte dos movimentos nacionais teriam tido origem no Estado da Bahia e que seria uma tradição dos baianos, exemplificando a campanha das “Diretas já”.
Sobre os desdobramentos das manifestações ressaltou que não seria inusitado e sim normal, a mudança das posturas dos governos frente à pressão das ruas, acreditando que a classe política teria sofrido uma balançada.
Defendeu, por fim, que teria sido extremamente oportuna e necessária uma maior participação de lideranças religiosas nas manifestações (padres, pastores etc), assim como de lideranças estudantis, líderes de associações de bairro, ONGs, etc. Tais instituições seriam indispensáveis para a defesa da dignidade da vida. Haveria carência na sociedade, de pessoas e líderes imbuídos e defensores da ética e que as instituições deveriam se fortalecer. Também defendeu que seria preciso despertar novas lideranças defensoras da justiça social e que tal postura deveria ser adotada pelas igrejas comprometidas com a mensagem evangélica.


Ana Lígia Lima

Defendeu que não seriam somente a religião e as igrejas as responsáveis pela alienação do povo, pois o mercado do entretenimento seria um dos maiores vilões, citando shows de música, futebol, carnaval, entre outros.
Criticou o discurso no qual coloca as pessoas das igrejas como alienadas e lembrou que é das igrejas que sairiam grande parte das principais lideranças populares, citando pastorais ligadas a movimentos e causas populares e alguns grupos evangélicos de formação teológica.

Cláudio Sena

Lembrou que a igreja teria nascido como uma força de resistência que teria instalado um novo pensamento que transformaria a vida das pessoas, mas que hoje estaria mergulhada no interesse econômico e no poder.
Afirmou que ninguém da frente parlamentar evangélica teria tido a ousadia de criticar a corrupção dos governos Dilma e Lula.
Citou Max Weber, que teria associado o espírito protestante à busca pelo poder e riqueza.
Quanto à moralidade cristã, esta estaria voltada para a sexualidade alheia esquecendo-se da falta de ética nas relações humanas, da corrupção, das injustiças sociais e dos desvios do poder.
Por fim, colocando-se como representante protestante, fez uma análise pessimista acerca da relação ética cristã-evangélica diante do cenário político atual, pois a igreja estaria calada diante das injustiças que seriam realizadas sob as bênçãos do poder, por tal motivo não sentiria naquele momento nenhuma vontade de se submeter a uma ordenação.

Olusivone Torres

Declarou que estaria feliz em presenciar as manifestações populares pelo fato que as mesmas teriam grande participação de jovens iniciadores do movimento que também teria acordado nas pessoas outros sentimentos relativos à democracia e cidadania, uma vez que já seria notória a apatia da juventude brasileira nos últimos tempos.
Parabenizou a juventude por ter acordado, a pesar de saber que foi constatado que grupos de jovens ainda não comprometidos com as causas reivindicadas estariam se aproveitando das manifestações para outros fins.
Por fim, defendeu o movimento insurgente, que lutaria pelo voto nulo. Tal movimento se fundamentaria na idéia garantida na lei eleitoral de que, caso 50% dos votos fossem nulos a eleição teria que ser anulada e convocada outra eleição para meses depois, sendo que os políticos mantidos no poder com a anulação não poderiam concorrer, o que representaria uma revolução nas urnas.

Gabriela Galeno

Relatou que teria participado das manifestações pela primeira vez e que teria tido uma experiência muito positiva. Descreveu sua participação na manifestação em frente ao Shopping Iguatemi em Salvador, exaltando a mobilização dos jovens pelo facebook e a organização das lideranças no momento da concentração e preparação para o protesto, que teria tomado proporções inesperadas pela organização. Teria ficado entusiasmada com a força do movimento e as repercussões e consequências daquela ação política democrática e cidadã.
Já na segunda participação, cuja concentração foi na Praça do Campo Grande, também em Salvador, teria tido uma outra experiência pois naquela última teria havido confronto com a polícia e muita confusão e, pela primeira vez teria tido contato com as bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta.
Outro fato que relatou foi a percepção que grupos de jovens infiltrados entre os manifestantes teriam outras finalidades como a de radicalizar os protestos com atos de vandalismo, mas que a maioria esmagadora dos manifestantes teriam a intenção de manter o caráter pacífico do ato político.

Graziela Galeno

Defendeu a idéia que já estaria passando da hora dos jovens acordarem e tomarem a frente de ações como aquelas manifestações. Tais protestos teriam trazido estímulos aos jovens que teriam descoberto a sua força e capacidade de realizar mudanças na sociedade, pois os resultados teriam sido imediatos e bem notórios.

Maria Fernanda

Colocou seus questionamentos sobre as ações dos políticos na cidade de Salvador e no Brasil, pois os políticos se candidatariam com a finalidade utilizar os cargos em proveito próprio e não com a finalidade de beneficiar o povo.
Defendeu que as manifestações não deveriam parar e que o povo deveria continuar com as reivindicações nas ruas, pois muita coisa ainda precisaria mudar na cidade.
Lembrou que a mídia e o governo só lembrariam do Brasil nas regiões do Rio e São Paulo e que o resto do país estaria condenado a danar-se. Que fora Rio e São Paulo todo o resto do país estaria abandonado.
Por fim, afirmou que o governo deveria investir para que o Brasil fosse um país de iguais, sem desigualdades e que a corrupção seria o grande mal da sociedade e da classe política.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

49% do banco Renner, de Porto Alegre pertence a Edir Macedo




Quatro anos depois do anúncio do negócio, o governo confirmou a compra de parte de um banco pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal.

Decreto da presidente Dilma Rousseff, do início da semana passada, liberou a compra de 49% do banco Renner, de Porto Alegre (RS), pelo grupo Record (emissora de TV de propriedade da Universal).

Figuram como compradores do banco o bispo Edir Macedo e sua mulher. Segundo o Banco Central, os dois têm domicílio no exterior. Por isso o decreto de Dilma autoriza "participação estrangeira" na operação. Os "estrangeiros" são Macedo e sua mulher.

"Os controladores do Banco A.J. Renner S.A., com sede em Porto Alegre, negociaram parte de suas ações com a empresa B.A. Empreendimentos e Participações Ltda., que é controlada pela empresa Rádio e Televisão Record S.A., cujos sócios, Sr. Edir Macedo Bezerra e esposa, têm domicilio no exterior", informa nota do BC.

As regras determinam que a Presidência da República se manifeste antes da aprovação do negócio pelo BC, no caso de participação de estrangeiros no sistema financeiro nacional.


O controle acionário do banco continua com a família Renner. Em 2009, o anúncio foi que a Record compraria 40% do banco, mas o BC disse que houve "ajustes" entre as partes e, por isso, o percentual passou a 49%.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Deputado tucano desiste de 'cura gay'; Feliciano ameaça retomar proposta em 2015


A proposta batizada de "cura gay" foi retirada da pauta da Câmara dos Deputados após decisão tomada na reunião de lideranças partidárias da Casa realizada nesta terça-feira (2). O deputado tucano João Campos (GO) foi pressionado pelo PSDB e decidiu engavetar o projeto. A informação foi confirmada pela assessoria do parlamentar.

Pelo Twitter, o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa e defensor do projeto, afirmou que proposta foi inviabilizada após o PSDB, partido de Campos, ter se declarado contrário à medida. "Parabéns a decisão tomada pelo @depjoaocampos em retirar o PDC 234 de tramitação.O PSDB seu partido inviabilizou qdo notificou ser contra", declarou o pastor.

Também na rede de microblogs, o pastor prometeu retomar a proposta na próxima legislatura (2015-2018), quando, segundo ele, a bancada evangélica será ainda mais numerosa.

"O PDC não foi arquivado, mas retirado, e pode voltar. E voltará na próxima legislatura quando teremos um número maior de deputados evangélicos", tuitou Feliciano.
"Essa perseguição de parte da midia e dos ativistas nos fortaleceu, e nosso povo acordou. Nos aguarde em 2015! Viremos com força dobrada", acrescentou o pastor.

Polêmico, o Projeto de Decreto Legislativo (PDC 234/11), apelidado de "cura gay", altera resoluções do Conselho Federal de Psicologia que proíbem que profissionais participem de terapias para alterar a identidade sexual do paciente ou que tratem a homossexualidade como doença.

A proposta foi aprovada na Comissão de Direitos Humanos no último dia 18. Desde que entrou na pauta da comissão, a medida foi alvo de protestos da comunidade LGBT e de ativistas que a acusam de homofóbica.



quarta-feira, 26 de junho de 2013

O povo brasileiro vai às praças e às ruas – uma palavra evangélica



Estamos todos sob o impacto dos últimos acontecimentos em nossa nação. A presença do povo brasileiro nas ruas em escala de grandeza superlativa, sem dúvida alguma, traz a todos um sentimento de perplexidade e um chamado à reflexão.
A massa humana inconformada parece sinalizar a requisição categórica de um novo encaminhamento para as questões de políticas públicas no Brasil. Os avanços dos últimos anos não foram suficientes, até agora, para produzir um senso de protagonismo no povo brasileiro. Fica claro e evidente o descontentamento e o desejo por mudanças profundas e concretas.
Os atos pontuais de vandalismo praticados por uma ínfima parte dos presentes nesses ajuntamentos, não parecem desqualificar o movimento; talvez ajudem, isso sim, a explicar as muitas contradições presentes na configuração social brasileira. Há que se manter um cuidado crítico em relação ao que se recebe por parte das mídias. Já é sabido por todos que as mesmas muitas vezes atendem a interesses que nem sempre são os da coletividade.
De uma forma geral, as manifestações têm assumido um tom pacífico e propositivo.
As pautas são diversas: Transporte público, Corrupção nos setores públicos, Saúde precarizada, Educação de baixa qualidade e Violência urbana, estão entre os temas mais presentes.
O tom apartidário do movimento aponta para uma crítica severa às instituições políticas e na direção de um maior controle social da governança pública.
A Aliança Cristã Evangélica Brasileira se manifesta favorável à utilização dos instrumentos democráticos como afirmação de uma espiritualidade cristã encarnada, que incida nas questões de ordem pública para o estabelecimento da justiça social, conforme já declarou no documento “Por uma Igreja Participativa e Cidadã”.
Outrossim, rejeitamos qualquer manifestação pessoal, pública ou institucional que se imponha pela violência ou por outro mecanismo que se identifique com a corrupção dos valores do reino de Deus para a vida em sociedade.
Assim sendo, conclamamos as igrejas brasileiras e de todo o mundo a unirem-se a nós em oração pela nossa nação.
Oramos pelas autoridades constituídas, para que tenham o bom senso e a coragem de apresentar respostas que sinalizem o início de diálogos na direção da garantia das demandas populares.
Oramos clamando para que a justiça e paz social, elementos constituintes do reino de Deus, predominem em cada pedaço de chão do nosso amado país.
Oramos pela dinâmica de amadurecimento de nossa democracia, trazendo a termo melhores dias para a nossa gente.
Oramos por nós mesmos, como igreja, para que sejamos sensíveis aos movimentos do Espírito Santo em meio aos processos conturbados, e façamos escolhas que reflitam a luz de Deus diante dos homens, através de testemunhos de boas obras e práticas da justiça.
Concluímos com as palavras do Pr Carlos Queiroz, embaixador da Aliança Cristã Evangélica Brasileira:
“A justiça de Deus é bem maior que o conceito de justiça do ser humano. É baseada em valores como mansidão, sensibilidade, misericórdia e amor. Mas isso não quer dizer que a justiça de Deus é menor do que o mínimo exigido pela justiça humana, como o direito à habitação, alimentação, saúde, educação, lazer, liberdade de exercer a vocação humana.”


Retirado do site Aliança Cristã Evangélica Brasileira

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Viva Santo Antônio



Pelo menos 68 igrejas da Arquidiocese de Salvador promovem nesta quinta-feira, 13, trezenas e missas em honra a um dos mais populares santos no Brasil e Portugal: Santo Antônio.
Martelo dos hereges, doutor evangélico, lírio de pureza, taumaturgo, casamenteiro. Estes são apelidos do santo nascido Fernando de Bulhões e Taveira, em Lisboa, e que passou à história católica como Antônio de Pádua.
Uma das mais tradicionais trezenas é realizada na Igreja de Santo Antônio Além do Carmo, onde hoje, às 19h, o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, celebra a missa de encerramento.
Na mensagem que escreveu aos paroquianos do Carmo, dom Murilo ressaltou que "Santo Antônio, com o exemplo que nos deixou, nos ensina que a justiça, a solidariedade e a paz são possíveis, desde que busquemos fazer de Jesus o centro de nossas vidas".
Por sua vez, o frei Ronaldo Marques, pároco de Santo Antônio Além do Carmo, explica que, no Brasil, o santo português tem maior fama do que São Francisco por ser associada a ele a distribuição do pão dos pobres. "Um grande número de pessoas recorre às igrejas nas terças-feiras para conseguir este pão", diz frei Ronaldo.
Nas residências - As celebrações nas casas   também são tradição. A comerciante Raimunda Angélica Machado, a Cigana, celebra o santo hoje, às 21h,  em seu bar, na Praça da Matriz, em Lauro de Freitas. "Fiz uma promessa por meu marido, ele atendeu. Há nove anos faço a reza".
Na Bahia, a devoção dos católicos adquire  um traço diferenciado. "Aqui, a fé em Irmã Dulce também está ligada à fé em Santo Antônio. Os fiéis  já chamam o Santuário de Irmã Dulce também com o nome de Santo Antônio", explicou  o seu reitor, padre Alberto Montealegre.
Hoje, o padre Alberto Montealegre celebra missa festiva às 16h, seguida de procissão. Entre os devotos de Irmã Dulce, o santo de Lisboa é invocado como protetor dos pobres. O padre Manoel Filho, da Pastoral da Comunicação, lembra que "quando se diz que o santo foi o 'martelo dos hereges', isso aconteceu porque ele sempre foi fiel ao que acreditava  e usava o argumento, jamais a violência, para anunciar o Cristo".




quarta-feira, 29 de maio de 2013

JUVENTUDE E RELIGIÃO


       

 Pr. Djalma Torres

Quero começar com uma consideração que julgo necessária nesta oportunidade. O enfoque do meu trabalho pastoral e teológico há algum tempo vem sendo o movimento ecumênico e o diálogo inter-religioso. O tema juventude está presente, mas não tem sido a minha preocupação por excelência. Ele é mais uma preocupação sócio-pastoral do que teológica.
Na fala sobre a juventude é mais prudente o uso do termo no plural. Há diferenças e desigualdades que estão presentes na experiência dos jovens, como questões de gênero, etnia, classe social, orientação sexual, escolaridade, local de moradia - o campo ou a cidade, - o centro ou a periferia -, da situação familiar e da inserção no mundo do trabalho, que pesam no momento de uma reflexão como esta.
De qualquer modo, para facilitar a compreensão e correndo sempre o risco de generalização, é possível dizer que a juventude é uma fase da vida em que a pessoa se acha historicamente entre a dependência familiar e a maturidade, reconhecida pela cultura como um modo de ser marcado pela autonomia, pela realização pessoal e pela participação consciente na sociedade e na história.
De acordo com o Censo de 2010, há mais de 37 milhões de brasileiros na faixa etária entre os 14 e 24 anos. É nessa fase da vida, que definimos como fase da juventude, que ela desperta a maior atenção de toda a sociedade contemporânea: nos espaços acadêmicos, nas políticas públicas, nos apelos comerciais, no esporte, na política partidária e na religião.
É essa força jovem que permite, especialmente nos grandes centros urbanos, reunir condições e capacidade de mobilização na luta por transformações, pelo novo, pela realização de seus desejos, sonhos e utopias,muitas vezes já adormecidos na vida do adulto.

A juventude de hoje está diante de desafios ainda maiores do que no passado: a consciência da necessidade de formação qualificada; a luta por um lugar para o exercício profissional num mundo de um mercado cada vez mais competitivo e exigente; as tentações da fuga para a droga, para a prostituição e para a religião, nos momentos de fracasso. Pode parecer estranho, mas a religião, em muitos casos, é uma fonte de fuga e alienação. Em outros, ela não merece confiança para o jovem, que tenta encontrar respostas para as suas inquietações em outras fontes.

Ademais, diante da constatação da existência de um mundo real, em transformações estupendas, econômicas, sociais, científicas e tecnológicas, muitas vezes o jovem (e não só ele) é induzido a um sentimento desolidão existencial sem precedentes na história.

Os desafios imensos, as tentações gigantescas, o sentimento de solidão, colocam o jovem numa encruzilhada séria de vida, em que a opção pode resultar na destruição de sua própria vida ou em sua realização plena. E a vida é um bem precioso, inalienável e sagrado.

Mas não só. As conquistas do mundo atual e o ingresso da sociedade na pós-modernidade têm levado o ser humano, e em especial o jovem, a observar que hoje não somente a religião, mas também a ciência tem formas de explicar a vida, os fenômenos humanos e do mundo. Assim, tudo parecia estar explicado e Marx e Nietzsche tinham razão. Deus havia perdido o lugar na vida humana.  O religioso cedia lugar ao secular.

Mas eis que a religião volta a ocupar espaço na vida humana, agora até em novas formas de relacionamento com o divino, em espaços comuns, fora dos lugares sagrados, mas que inspiram e enlevam, como na praia e no campo, em casa e nas praças públicas, numa demonstração de que a fé é uma realidade existencial, é uma experiência pessoal inerente ao ser humano.

Creio não existir incompatibilidade entre juventude e religiosidade. A religião faz parte da sua vida, compõe a sua identidade, ajuda-o na construção de sua cosmovisão do mundo e da sociedade. Essa construção, entretanto,se dá do jeito do jovem, ao seu modo, com a criação de formas inovadoras de expressar e de se relacionar com o divino.

Do lado da religião, é possível afirmar que em todas elas há um lugar especial para o jovem. Tradicionalmente há uma expectativa de sua adesão ao sacerdócio, ingresso em ordens religiosas, envolvimento em eventos de massa, em projetos pioneiros, aceite desafios e se submeta a sacrifícios.
E o mundo religioso tem se mobilizado. Ele oferece ao jovem uma infinidade de propostas, que inclui uma lista extensa de ofertas e exigências, a começar pela Igreja Católica, prosseguindo com as igrejas protestantes tradicionais, as igrejas pentecostais, as igrejas neo-pentecostais mais recentes, o islamismo, o budismo, o judaísmo, as religiões de origem asiática, o espiritismo, as religiões afro-brasileiras, as novas religiões, como o Santo Daime, Nova Era, além do fenômeno religioso atual da dupla e da múltipla pertença.
A dificuldade ou o impasse entre o jovem e a religião institucional reside nas exigências para o seguimento, como dogmas, doutrinas, normas, regras, etc. Não é, pois, sem razão, que cheguem a muitos milhões os jovens brasileiros sem-religião e os ateus, como bem demonstra o Censo de 2010, que constatou a existência de cerca de 15% de jovens sem religião e 2% de ateus, um contingente em torno de 30 milhões.
O universo da juventude de hoje, visto sob o olhar religioso, compreende quatro grupos diferentes: os religiosos confessionais, os religiosos sem vinculação religiosa oficial, os sem religião e os ateus. Tenho sido testemunha de muitos exemplos dos diversos grupos que estou citando.
Há de se registrar, em termos positivos, que o seguimento religioso, não deixa de ser positivo para o jovem. É fato que nas escolas e universidades, nos grupos sociais e na participação em organizações da sociedade, jovens que cultivam a vida religiosa se revelam mais sociáveis, mais desembaraçados no falar e com maior capacidade de sustentação de argumentos em debates, facilitando a sua vida mais tarde no exercício de atividades profissionais e de mobilização social.
Também a experiência religiosa ajuda o jovem a assumir valores e práticas com a solidariedade, a valorização da vida, a ecologia e os direitos humanos, entre outros.
No mundo cristão há muita dificuldade no acolhimento do jovem. Algumas igrejas não entraram ainda no mundo real e outras perderam o senso de ética e justiça. E usam recursos diversos para a conquista da juventude. Os exemplos saltam aos nossos olhos, como a realização de grandes eventos musicais, no estilo dos shows Gospel, acampamentos, encontros nacionais e internacionais, como a Jornada Mundial da Juventude a ser realizada pela Igreja Católica em julho próximo, no Rio de Janeiro, com uma expectativa de participação de 500 mil jovens de todo o mundo.
Outros exemplos são de igrejas que não fazem concessões e estão sobrevivendo, com adesões de jovens que se entregam aos apelos religiosos. Defendem modelos tradicionais, fundamentalistas, que tentam submeter o jovema suas doutrinas,  como são conhecidos os casos  sobre moral sexual e normas de conduta, presentes nos discursos católicos e em algumas vertentes protestantes.
Esse quadro geral dificulta a fidelidade do jovem a uma confissão religiosa. A resposta que temos é o afastamentoe a criação de modelos particulares de expressão de sua fé.
Um exemplo interessante está numa pesquisa realizada em 2008, pelo teólogo Jorge Cláudio Ribeiro, da PUC de São Paulo, sob o título “Religiosidade Jovem”, indicava que, de 520 universitários entrevistados, de 17 a 25 anos, 32% eram jovens sem religião.  Dos jovens sem religião da pesquisa, 12,2% se declararam agnósticos ou ateus e 19,8% crentes sem religião.

Algumas pesquisas que tenho acompanhado, textos que tenho lido, campanhas que tenho participado, a convivência com muitas religiões aqui na Bahia, em outras regiões do Brasil e fora do país, e a experiências de mais de quatro décadas de serviço pastoral me levam a crer que temos uma geração de jovens que dão valor à vida religiosa e a cultivam à sua maneira, ou em pequenos grupos, sem a preocupação de uma relação mais comprometida com uma expressão de fé oficial.

A religião ocupa espaço em sua vida e lhe provoca sentimentos místicos de adoração e de projeção para o transcendente. Ele, com elevadas exceções, pouco se enquadra no estreito espaço de uma confissão religiosa.

Salvador, Bahia, maio de 2013.
Pr. Djalma Torres

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Juíza baiana censura site do jornalista Emiliano José


Emiliano José

A juíza de Direito da 29ª Vara dos Feitos Cíveis, Comerciais e Relação de Consumo da Comarca de Salvador, determinou, em decisão liminar, que o escritor e jornalista Emiliano José retire de seu site (www.emilianojose.com.br) o artigo denominado “A premonição de Yaiá”, publicado em fevereiro no jornal A Tarde. O jornalista entrevistou D. Maria Helena Carvalho (d. Yaiá) que denunciou o ex-oficial da Polícia Militar, Átila Brandão, como o autor de torturas em seu filho Renato Afonso Carvalho, em 1971, no Quartel dos Dendezeiros. A juíza decidiu também que o jornal A Tarde assegure direito de resposta, no mesmo espaço, ao hoje pastor da Igreja Batista Caminho das Árvores, de Salvador.
A decisão da juíza Marielza Brandão, em despacho referente a uma ação de indenização por danos morais da parte do pastor Átila Brandão, deferiu parcialmente a medida liminar requerida, já que não incluiu direito de resposta na revista Carta Capital, que também publicou matéria intitulada “Corpo amputado querendo se recompor”, em que o hoje professor Renato Afonso confirma as denúncias feitas por sua mãe, D. Yaiá, em depoimento prestado ao jornalista. A juíza deu um prazo de dez dias para cumprimento da decisão, com multa diária estipulada de R$ 200,00 (duzentos reais) caso haja descumprimento da decisão judicial. Emiliano José vai contestar a ação no Tribunal de Justiça.
O advogado Jerônimo Mesquita, que representa o jornalista Emiliano José, afirmou que a ação indenizatória de Átila Brandão está em absoluto confronto com a Constituição Federal. Ele ressalta que o jornalista não pode ser condenado por fazer jornalismo, já que publicou depoimentos prestados por duas pessoas que sofreram na carne atos de violência: D. Yaiá, por ver o filho torturado, e Renato Afonso, por ter sido torturado. O advogado afirma que no arrazoado da ação, o pastor Atila Brandão agride o jornalista ao afirmar ser ele “pau mandado”, “papagaio de pirata” e que “industrializa mentiras”. Ele considera que se trata de uma tentativa de cercear a liberdade de imprensa e expressão, e também uma despropositada asfixia financeira, já que pede uma verba indenizatória “não inferior a dois milhões de reais”.
Emiliano José afirmou que, “ao longo de seus 35 anos de carreira jornalística, esta é a primeira tentativa clara de cercear minha liberdade de expressão, apesar da reportagem ter fonte explícita e estar bem documentada”. Ele considera que o ex-oficial da Polícia Militar “é que deve explicações à Comissão Nacional da Verdade, à Comissão Estadual da Verdade criada pelo governador Jaques Wagner e aos setores da sociedade que se dedicam a revelar a memória da ditadura militar, em busca de justiça e da verdade”. Disse que vai atender a decisão liminar da juíza Marielza Brandão e retirar de seu site o artigo “A premonição de Yaiá”. Mas vai ao Tribunal de Justiça para garantir seu direito de exercer o jornalismo. Segundo ele, “tal decisão acende um sinal amarelo, já que se ignora a Constituição, viola o exercício da profissão e da liberdade de imprensa”.